papagaio-de-peito-roxo tem recuperado a sua população na estreita faixa no qual vive entre os municípios de Passos Maia e Ponte Serrada, no Oeste catarinense, no Parque Nacional das Araucárias, unidade de conservação federal. A recuperação mostra o resultado de esforços para a conservação em meio ao desmatamento e o tráfico ilegal, que ainda ameaça a espécie.

 

No Dia Mundial da Vida Selvagem, comemorado nesta quarta-feira (3), o G1 SC mostra como Instituto Espaço Silvestre está trabalhando, mesmo durante a pandemia, para fazer a maior soltura do projeto em dez anos. Aproximadamente 50 animais deverão voltar a viver em grupo no ambiente natural. A expectativa é que a soltura ocorra no segundo semestre.

Segundo a diretora técnica do instituto, Vanessa Tavares Kanaan, o coronavírus pode ter gerado mais empatia dos humanos com os animais silvestres que vivem em cativeiro por precisarem permanecer em distanciamento ou isolamento social.

 

 

"Na pandemia muitas pessoas tiveram a oportunidade de sentir o que é ficar isolado de outros da sua espécie, o que é ficar em casa, o que é não poder se comportar da maneira que a gente quer e talvez seja mais fácil ter empatia pelo que, talvez, os animais passem também", disse.

 

 

 

 

Papagaio-de-peito-roxo durante o processo de reabilitação no projeto catarinense — Foto: Vanessa Tavares Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

 

Papagaio-de-peito-roxo durante o processo de reabilitação no projeto catarinense — Foto: Vanessa Tavares Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

A diretora técnica do instituto, Vanessa Tavares Kanaan, explica que as ações do Projeto de Reintrodução do papagaio-de-peito-roxo, reabilitam animais vítimas do tráfico, que são resgatados, e também casos de entrega voluntária por moradores que encontram essas aves fora de seus habita natural.

 

"O projeto começou em 2010 com uma soltura experimental e foi solto um grupo pequeno de animais. Desde então, nós estamos trabalhando com o aumento do número de animais por grupo", disse.

Após a primeira soltura, de 13 indivíduos em 2011, a equipe do Instituto Espaço Silvestre iniciou também o trabalho de monitoramento pós-soltura com observações. Até o momento, 186 papagaios passaram pelo rigoroso processo de reabilitação e conquistaram a liberdade.

 

  • 13 papagaios em janeiro de 2011
  •  
  • 30 papagaios em setembro de 2012
  •  
  • 33 papagaios em junho de 2015
  •  
  • 7 papagaios em março de 2016
  •  
  • 30 papagaios em junho de 2017
  •  
  • 40 em outubro de 2018
  •  
  • 33 em março de 2019

 

Geralmente, são animais vítimas de ações humanas, que foram apreendidos.

 

 

"As vezes, as pessoas não se veem como parte do tráfico, como criminosas, e isso acaba sendo um grande problema porque as pessoas, por mais que tenham boas intenções e amor pelos animais, fazem parte do tráfico, do comércio e da retirada ilegal dos animais da natureza e é isso que está levando à extinção do papagaio-de-peito-roxo em diversos locais, inclusive no local que hoje abriga o parque", explica.

 

Os animais passam por diversos exames clínicos e laboratoriais e seu comportamento é observado e modificado para serem soltos na natureza. No treinamento, os papagaios reaprendem a interagir com outros.

Papagaio-de-peito-roxo passam por diversos exames clínicos e laboratoriais no Instituto Espaço Silvestre em Santa Catarina — Foto: Vanessa Tavares Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

As aves também reaprendem a voar, com exercícios, e são alimentadas com uma dieta que pode ser encontrada na natureza, como flores, frutos, folhas e sementes.

"Com a pandemia, nós notamos que houve um interesse bem maior dos animais pela utilização das caixas ninho, talvez porque não houvesse uma circulação muito grande de pessoas, mas ainda não sabemos exatamente o porquê. Mas tivemos, inclusive, a postura de um ovo numa caixa ninho pela primeira vez na história do projeto", disse.

 

 

Papagaio e ovo na caixa ninho do instituto  — Foto: Felipe Moreli Fantacini/ Instituto Espaço Silvestre/ Divulgação

Papagaio e ovo na caixa ninho do instituto — Foto: Felipe Moreli Fantacini/ Instituto Espaço Silvestre/ Divulgação

 

Vanessa explica que uma das limitações para a reprodução desses animais pode ser a baixa disponibilidade de ocos naturais, uma vez que a floresta está tão degradada e a alta competição por esses locais por outras espécies.

"Ao longo dos anos tentamos fazer algumas experiências com caixas ninho, que simula um oco encontrado na natureza, uma delas gerou um dos filhotes nascidos em cativeiro", afirmou.

 

Monitoramento da caixa ninho no instituto — Foto: Instituto Espaço Silvestre/ Divulgação

 

Monitoramento da caixa ninho no instituto — Foto: Instituto Espaço Silvestre/ Divulgação

A iniciativa também envolve a participação da comunidade. "A maior parte dos nossos cidadãos cientistas, ou seja, que nos auxiliam a monitorar os papagaios soltos eram pessoas que, quando jovens, retiravam papagaios da natureza. Eles entendem muito da biologia, são pessoas que gostam, mas que jogaram num time e agora jogam em outro", explica.

Durante a pandemia, as orientações do projeto e monitoramento das aves são feitas pelas redes sociais e outras ferramentas a distância.

 

Como interagir com os papagaios em vida livre

 

Vanessa explica que os catarinenses podem aproveitar a convivência com os papagaios que vivem no estado. Ela explica que é possível promover ações pessoais de aproximação com os animais.

 

Papagaio-de-peito-roxo após a soltura — Foto:  Vanessa Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

Papagaio-de-peito-roxo após a soltura — Foto: Vanessa Kanaan/ Instituto Espaço Silvestre

 

"Nós temos muita sorte de viver no estado onde temos o papagaio-de-peito-roxo que é belíssimo, mas recebemos a visita de papagaios-charão todos os anos. Somos muito privilegiados em ter esses papagaios no quintal de casa. Então, não faz nenhum sentido querer tirar um animal da natureza, da sua família, para colocar em uma gaiola".

Veja as dicas:

 

  • Comece a observar aves de casa, mesmo morando em um ambiente urbano
  •  
  • Fazer comedouros ou colocar bebedouros para os pássaros com alimentos naturais
  •  
  • Faça interações em ambientes livres como parques, varandas, entre outros

 

A espécie

 

O papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) está ameaçado de extinção de acordo com as listagens da International Union for Conservations of Nature (IUCN) e do Ministério do Meio Ambiente. É uma espécie que pode viver até 30 anos e vive em vasta área de Mata Atlântica - do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, além do sudeste do Paraguai e do nordeste da Argentina.

No vídeo abaixo veja como um bando de papagaio-de-peito roxo atraiu turistas na região da Serra catarinense.

 

fonte: g1.globo.com